UMA ILHA NA EUROPA

Tomaram decisões sem prever consequências. Tal e qual isto o que se vive na Europa, nomeadamente, em Chipre. Vai para duas semanas que os bancos desta pequena ilha estão fechados e tudo porque foi abalado o sistema da confiança.

Chipre precisa de ajuda externa e a Europa decidiu que o resgate a Chipre passaria pela aplicação de um novo imposto sobre os depósitos bancários. Todos os depósitos bancários. A medida, a primeira, foi aprovada por unanimidade pelos ministros do Eurogrupo, mas quando estoirou a polémica e uma possível corrida aos bancos, ficou sem se saber quem afinal tinha proposto tal medida. Com o chumbo do Parlamento cipriota, essa decisão ficou sem efeito.

Uma coisa é certa, Chipre precisa de um resgate e Bruxelas, mais uma vez, denotou falta de sensibilidade para lidar com situações destas. Só à segunda aprovou o novo resgate: desaparece o segundo maior banco e são taxados todos os depósitos superiores a 100 mil euros. Tudo demorou muito tempo. São demasiados erros geradores de desconfiança.

Agora todos ficamos a saber que a banca cipriota sempre mereceu a preferência do capital russo. Quase metade dos depósitos pertence a cidadãos russos e britânicos.

Claro está, no Chipre os juros dos depósitos são taxados a 0%. Em comparação com Portugal, a diferença é abismal: esses mesmos juros têm uma taxa de 28%. Mas sempre foi assim e parece que só agora é que se descobriu que no meio do Eurogrupo havia um paraíso fiscal.

A solução desta crise passa por Bruxelas. No entanto, as conversações com vista a obter os melhores resultados estendem-se a Moscovo e com a Igreja Ortodoxa pelo meio.
Tudo é estranho e anormal depois de uma medida tomada por unanimidade e que parecia a mais adequada para os ministros das Finanças.

De repente, todos os cenários se tornaram sombrios. Cada País membro do Eurogrupo defende o seu território com expressões de acalmia. Em Portugal, por exemplo, não se registaram levantamentos fora do padrão normal, mas a instabilidade paira no ar e pergunta-se com toda a legitimidade: Como é possível um País como o Chipre fazer parte do Eurogrupo?

Em Bruxelas há embaraço e não se percebe a estratégia nem a liderança da Europa. A situação é inédita e verifica-se como a democracia tem dificuldade em enfrentar e controlar a austeridade. Afinal, uma pequena ilha pode confundir o velho continente.

A Direção