Países da União Europeia demonstram preocupação face a tarifas dos EUA

Redação, 03 mar 2025 (Lusa) – Países da União Europeia demonstraram hoje preocupação face às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações e sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

Berlim declarou hoje apoio à União Europeia (UE) na procura de uma solução negociada com Washington sobre as novas tarifas anunciadas por Donald Trump, reiterando que a Europa está pronta para retaliar.

O vice-chanceler alemão, Robert Habeck, alertou que os novos impostos norte-americanos podem arrastar países para a recessão e causar danos consideráveis em todo o mundo.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai reunir-se hoje à tarde com representantes das indústrias afetadas pelas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos.

Na Polónia, o primeiro-ministro, Donald Tusk, afirmou hoje que são necessárias decisões adequadas.

Numa mensagem difundida através das redes sociais, Tusk não especificou o tipo de medidas.

A Dinamarca criticou também as novas tarifas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, disse que a Europa deve permanecer unida e preparar respostas “sólidas” e proporcionais.

Na Irlanda, o primeiro-ministro, Michael Martin, afirmou hoje que lamenta profundamente as tarifas impostas à União Europeia e apelou a uma reposta “proporcionada” dos 27 Estados membros.

Na mesma linha, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a introdução pelos Estados Unidos de direitos aduaneiros contra a União Europeia é uma medida errada.

Mesmo assim, Meloni declarou que pretende chegar a um acordo com os Estados Unidos, a fim de se evitar uma guerra comercial que enfraqueceria o que chamou “Ocidente” em benefício de outros atores mundiais.

Em Espanha, o Executivo anunciou o recurso aos instrumentos comerciais e financeiros de que o Estado dispõe para implementar uma rede de proteção imediata e uma estratégia de relançamento dos setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve especificar hoje o plano de contingência de Madrid.

Fontes do Executivo espanhol disseram à agência de notícias EFE que o bloco europeu dispõe das ferramentas necessárias para proteger os interesses dos cidadãos e empresas, caso não haja espaço para negociação com Washington.

As mesmas fontes lamentaram “profundamente” a decisão da Administração de Donald Trump.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou hoje que as novas taxas alfandegárias anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos constituem um “duro golpe” para a economia mundial.

Manifestando preocupação pela decisão, Ursula von der Leyen afirmou que os europeus estão prontos a reagir e que já estão a trabalhar num novo pacote de contramedidas, em caso de problemas no âmbito das negociações com a Administração norte-americana.

Em Londres, o secretário do Comércio britânico, Jonathan Reynolds, reconheceu em declarações à cadeia de televisão Sky News que os anúncios do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocam o Reino Unido numa posição relativamente melhor do que, por exemplo, os países da União Europeia.

O Reino Unido foi relativamente poupado por Donald Trump, com tarifas de 10%, o nível mais baixo anunciado, especialmente em comparação com a União Europeia (20%) e a China (34%).

Donald Trump lançou uma ofensiva comercial sob a forma de tarifas muito pesadas, nomeadamente contra países da Ásia e da União Europeia.

Os mercados financeiros registaram quedas uma vez que tanto os aliados tradicionais como os concorrentes dos Estados Unidos avisaram que estavam a preparar um contra-ataque.

A ofensiva protecionista de Washington, como não se via desde os anos 1930, inclui uma tarifa mínima adicional de 10% sobre todas as importações e sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

 

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