
Caracas, 03 abr 2025 (Lusa) — Organizações políticas da oposição na Venezuela lançaram a Rede de Defesa Cidadã da Democracia (Red Decide), um movimento centrado na promoção e defesa do voto nas eleições legislativas e regionais, previstas para 25 de maio.
A Red Decide foi apresentada quarta-feira na Universidade Central da Venezuela, em Caracas, e conta com o apoio de conhecidos políticos da oposição, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski e o jornalista Jesus Torrealba, secretário-geral da extinta aliança opositora Mesa de Unidade Democrática.
A apresentação teve lugar apesar de os líderes da oposição, Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia, e a Plataforma Unitária Democrática, que reúne os principais partidos da oposição, condicionarem uma eventual participação ao cumprimento de condições eleitorais, entre elas que sejam reconhecidos os resultados das últimas presidenciais divulgados pela oposição.
“Não somos autocratas de esquerda nem de direita, acreditamos na democracia com um equilíbrio de pesos e contrapesos. Defendemos a forma republicana de governo com poderes autónomos que se controlam mutuamente. Queremos a democracia e a liberdade, para reivindicar a imensa maioria que votou por uma mudança democrática em 28 de julho [de 2024, eleições presidenciais] e queremos defender aqui e agora os direitos dos venezuelanos”, disse Jesus Torrealba, ao explicar o que é a Red Decide.
Torrealba explicou que “a abstenção não é um caminho a seguir” porque “é inação e permite que um governo sem apoio popular continue a monopolizar as instâncias de representação e de poder” na Venezuela.
O jornalista sublinhou que o chefe de Estado Nicolás Maduro tem hoje menos apoio dos venezuelanos do que antes das últimas eleições presidenciais, nas quais foi proclamado vencedor, mas cujos resultados a oposição contesta.
“Nós, que estamos no país, temos de continuar a lutar, temos de continuar a sair à rua, como fazem os trabalhadores pelos nossos salários, de continuar a votar em protesto. O que aconteceu a 28 de julho não pode ser encoberto”, afirmou o sindicalista Mauro Zambrano.
Vários políticos insistiram que a abstenção em anteriores eleições na Venezuela não beneficiou a oposição.
“Temos razões de sobra para estarmos frustrados e desconfiados, mas não podemos deixar que o desânimo nos vença, nunca. Mais uma vez dizemos que, apesar das adversidades, aqui ninguém desiste. Como mãe de uma criança e como esposa deste homem que vive numa prisão injusta, recuso a inação”, disse Vanessa Linares, esposa do presidente da câmara de Maracaibo (noroeste), Rafael Ramírez Colina, que se encontra preso.
O ex-deputado Ángel Medina insistiu que é preciso “derrotar o medo como foi feito a 28 de julho” e criticou as sanções internacionais contra a Venezuela, sublinhando, no entanto, que a verdadeira causa da crise no país “é a corrupção no topo do Governo”.
FPG // VQ
Lusa/Fim