Quando se discute um tema e não se encontra solução, ou a preferência é não encontrar culpados, pergunta-se, geralmente, qual nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Face à dúvida, aplica-se a regra em todos os sentidos e acaba-se a discussão, sem que ninguém tenha razão.
O tempo passa e a situação em Portugal continua mergulhada em águas turvas. Há mais desemprego, mais austeridade, mais crise, mais incertezas, mais desconfianças, mais emigração e mais um ano para cumprir o objectivo do défice.
O Governo já admite que, no final deste ano, o desemprego pode chegar próximo dos 19 por cento. No caso dos jovens a situação é muito pior. Números negros e assustadores que são o resultado da quebra económica.
De facto, este Governo é apontado como o causador da desgraça económica, embora lhe seja reconhecida a competência para o equilíbrio das finanças. De Bruxelas chegam notícias de que Portugal está a executar o programa corretamente e que essa execução tem permitido que investidores possam retomar a confiança. Portanto, o bom trabalho nas finanças provoca asfixia económica e toda a oposição protesta e incentiva a contestação de rua. Há mesmo forças que reclamam a demissão do Governo, embora se esqueçam que este tem maioria parlamentar.
Mas, se recuarmos mais de dois anos somos confrontados com o oposto.
O Governo era de esquerda e nessa altura apostava-se forte na economia e deu-se cabo das finanças. Conclusão: a economia mexia tanto que Portugal foi obrigado a pedir um resgate financeiro, caso contrário não haveria sequer dinheiro para pagar aos funcionários públicos.
Portugal chegou até aqui e daqui terá de sair e de preferência pelo melhor caminho. E o problema é, precisamente, encontrar esse tal caminho. Todos sabem que é preciso cortar na despesa, mas se se fala na Saúde, médicos, enfermeiros e demais do setor, clamam que não pode ser. Se se fala de Educação, protestam os professores e lança-se o pânico nas escolas. Se se fala de Defesa, vêm os militares com um rol de acusações. Se se fala de Justiça, o cenário é idêntico ou pior. Se se fala da Administração Pública, todos vêm para a rua, devidamente orientados para que tudo se mantenha igual.
A atividade política está pouco atraente. A Europa da zona Euro já vai no quinto País resgatado (Grécia, Irlanda, Portugal, banca espanhola e agora Chipre) e o futuro está, sucessivamente adiado. O Estado português continua “gordo” e quando se fala na mais que evidente necessidade de se reformar, o resultado está à vista. Entre o ovo e a galinha, continuamos a não desvendar quem nasceu primeiro.
A Direção