Os juros da dívida pública portuguesa estão a descer. As mesmas agências de rating que antes penalizaram Portugal estão a rever posições, recolocando o País no caminho da esperança.
Em Bruxelas, o ministro português das Finanças passou a merecer outra confiança dos parceiros comunitários e Portugal ficou a saber que vai beneficiar, em breve, de vantagens acrescidas para equilibrar as suas contas.
Enquanto isto, as ruas das cidades portuguesas enchem-se de gente protestando contra o Governo.
O desemprego aumenta, o número de empresas a fechar é cada vez maior, a emigração cresce e os jovens promissores viram as costas.
Portugal precisa de dinheiro e tem sido pela via fiscal que o Governo tem encontrado a receita para fazer face às necessidades externas. Quem trabalha sofre, pois recebe menos e gasta o mesmo.
Os políticos ocupam-se entre o debate político e o debate ideológico. Toda a gente se queixa, mas os factos são indesmentíveis.
José Sócrates governou Portugal durante sete anos. No final desse período o Governo do PS foi obrigado a pedir um empréstimo para pagar as despesas do Estado. Chegou a Troika e impôs regras totalmente aceites pelo governo socialista português de então. As taxas de juro, os prazos para reembolsos, as metas dos défices, tudo foi negociado, caso contrário não haveria sequer dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos.
Depois disto tratado, Portugal foi a eleições e houve mudança de governação. Esta história tem dois anos. E é, precisamente, o partido que negociou tudo com a Troika que mais insiste na necessidade de se rever o que de mal foi feito, isto é, os juros acordados, os prazos de pagamentos da dívida, as metas dos défices.
Com um País dividido será difícil cumprir. A vergonha política desapareceu ao ponto de os eleitos terem passado a colocar nas mãos dos juízes a resolução de muitos dos problemas que eles próprios criaram. Entretanto, o povo sai à rua e, curiosamente, há políticos que se misturam como nada tendo a ver com o problema criado. Têm memória curta.
A Direção