
São Paulo, 03 abr 2025 (Lusa) – A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a principal associação industrial brasileira, pediu para “intensificar o diálogo” com os EUA, para reduzir o impacto das tarifas de 10% anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a CNI afirmou que vê “com preocupação e cautela” a tarifa de 10% sobre todas as exportações brasileiras, anunciada horas antes por Trump.
“É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas”, afirmou o presidente da associação, Ricardo Alban, citado no comunicado.
“Reiteramos a disposição da indústria de contribuir com as negociações com os parceiros norte-americanos”, disse Alban.
O dirigente salientou que uma missão empresarial visitará os Estados Unidos em maio para “reforçar a cooperação”.
Em resposta às acusações da Casa Branca de um alegado desequilíbrio, a CNI destacou o significativo excedente comercial que os Estados Unidos têm com o Brasil e observou ainda que a tarifa média brasileira sobre as importações vindas dos EUA é de apenas 2,7%, em comparação com a média geral de 11,2% sobre todos os produtos que o Brasil importa do exterior.
Na quarta-feira à noite, a Câmara dos Deputados – câmara baixa do Parlamento do Brasil – aprovou o projeto de lei de reciprocidade em comércio externo, em resposta às tarifas anunciadas por Trump.
O projeto de lei permite ao Governo adotar medidas em relação a países ou blocos económicos que criarem medidas de restrição às exportações brasileiras, sejam de natureza comercial, ou de origem do produto.
O projeto de lei foi aprovado na terça-feira no Senado e segue agora para aprovação pelo Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro e nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças”, disse o presidente da Câmara, Hugo Mota, antes da votação.
Enquanto o projeto era votado, o Governo brasileiro emitiu uma nota em que destacou a aprovação pelo Senado e lamentou a decisão tomada pelos Estados Unidos.
“A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, frisou o ministério brasileiro das Relações Exteriores.
Horas antes, o ministro Mauro Vieira conversou por telefone com o representante de Comércio dos Estados Unidos sobre as tarifas de 25% ao aço e alumínio, que já tinham sido anteriormente impostas unilateralmente.
Fonte do Itamaraty detalhou à Lusa que os dois responsáveis “combinaram que as equipas se reunirão virtualmente na semana que vem”.
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